terça-feira, 24 de julho de 2012

6 days and 5 cents


[PRIMEIRO]

Após longos anos de trabalho tinha plena convicção de que o que mais precisava era umas merecidas férias. O corpo e a mente estavam precisando de momentos mais relaxantes, mais calmos, mais tranquilos. Olhei-me frente ao espelho: “Preciso de férias! Preciso de férias!”. Até receber o anúncio que teria exatamente 15 dias de férias. “Ebááá!” – animei-me.
Geralmente as pessoas programam as férias com viagens, lugares a serem visitados, amigos a serem revistos, etc. e etc. Toda essa programação gira em torno de grana. Dinheiro. La prata.  Taí coisa que não tenho: dimdim. Mesmo assim resolvi programar alguns dias na casa de um grande amigo (carinhosamente o chamo de irmãozinho). Iria aproveitar para revê-lo e rever outras pessoas que há muito tempo não via. Tudo programado e com quase nada de dinheiro no bolso. Fé e coragem para a aventura.

Sexta-feira, 03h27min. Em um impulso natural meus olhos abriram e avistaram a escuridão do quarto. Precisava continuar dormindo, porém os olhos insistiam em manterem-se abertos. Sem um mínimo sinal de que conseguiria voltar a dormir, levantei-me e fui até o jardim para fumar um cigarro, ver o sol amanhecer, ir tomar café na padaria, arrumar a casa, deixar tudo no jeito para a viagem – que não era tão longa – mas permaneceria seis dias fora de casa. Precisava deixar tudo em ordem.
O relógio analógico no visor do aparelho celular apontava 10h15min. O meu ônibus sairia às 11hs. Com tudo em ordem telefonei para meu sobrinho/filho para que ele ficasse com as chaves de casa até o meu retorno e assim pudesse dar uma fiscalizada no local. Afinal de contas, não é bom sair de casa e deixá-la sozinha (sempre vi isso nos telejornais quando a polícia nos oferece aquelas dicas de como sair em viagem e ter a tranquilidade de que sua casa não será assaltada, durante os boletins jornalísticos).

11hs37min. Já estava totalmente impaciente por conta do ônibus não sair do lugar. Só depois fui descobrir que o motorista estava esperando uma “senhora passageira” para seguir viagem. Ao som do ronco do motor o ônibus se movimentou e começaria exatamente naquela hora a minha aventura de férias. Havia adquirido dois dias atrás o livro “O Poder Da Paciência” – de M. J. Ryan – esse livro contém várias dicas para diminuir o ritmo, relaxar e encarar a rotina de uma forma mais tranquila, nos ensinando que a paciência nos ajuda a aproveitar ao máximo nossos talentos, a administrar a raiva, a crescer no amor e a usufruir o prazer de cada momento. Ao invés de ficar vendo a paisagem durante a viagem – como de costume - me aventurei na leitura do livro citado acima e tinha plena convicção de que eu necessitaria de muita, mas muita paciência para ler um livro sobre paciência. (Confesso que devorei metade do livro em menos de uma hora de viagem e que até aquele momento não iria me ajudar em nada, absolutamente nada. Pois, não consegui – até esse momento em que escrevo – hoje o quarto dia de viagem – ter exercitado nenhum ensinamento contido no livro). Haja paciência! (Risos & Pausa para um cigarro ao som de Alcione, “Faz uma loucura por mim”).

“Até que enfim em terras prudentinas, meu Deus!” – pensei.
Dirigi-me até a casa do meu amigo. Insistentemente toco a campanhia para que ele se apresse em abrir o portão e eu possa descansar um pouco o esqueleto. Já que segui viagem com uma bolsa gigantesca. Nem parecia que iria passar apenas seis dias na casa dele, mas sim 365 dias. Em dias de frio a minha bagagem aumenta por conta das blusas de frio, que ocupam 75% de espaço na mala.
Trocamos algumas palavras no portão e seguimos em direção da casa. Aconcheguei-me e ele com toda sua gentileza guardou meus pertences em um canto e me apresentou onde iria dormir aqueles dias. “Essa é sua cama. Onde você irá repousar nos dias que permanecer em minha humilde residência.” – sentenciou A. D. S. (meu irmãozinho). Disse “Olá!” para Er. – amigo do meu amigo que estava na casa. Fui à visinha (Rt.) que fazia muito tempo que não nos víamos.

Conversamos e conversamos e fizemos alguns planos e jogamos conversa fora e voltamos aos planos e mais ti-ti-ti-tá-tá-tá e planos e outros planos e conversas intermináveis para narrar o que tinha nos acontecido nos últimos quase dois meses que não nos víamos.
Contei a A. D. S. que já tinha planejado algumas coisas a fazer durante os dias em que me hospedaria em sua casa. Entre entregar currículos e visitar um sex-shop, por exemplo.
“Vamos sair agora!” – afirmou ele sem ao menos me questionar se era o meu desejo naquele momento. Seguimos até a casa de um amigo dele, o R. Durante toda a tarde conversamos sobre inúmeros assuntos supérfluos. Tive a certeza que precisava ter aquele tipo de conversa, sem nada de seriedade, coisas formais ou convencionais. Fugir literalmente da rotina. Era exatamente o que precisava. Quando digo fugir da rotina isso inclui todos os horários de café, almoço, jantar, acordar, dormir e tudo mais que fazia parte do meu dia-a-dia na pequena Iepê. Rimos muito de tudo e todos e de nós – principalmente.
Despedimo-nos de R. e seguimos até o sex-shop. Confesso que foi até engraçado, por conta da moça que nos atendeu. O profissionalismo dela nas explicações de cada produto para esquentar a relação foi o que mais chamou a nossa atenção. [...] Já era fim de tarde, o sol já estava indo embora pro Japão. Durante o caminho de volta até a casa do A. D. S. todos os planos da noite foram mudados por conta do frio imenso. O mais provável era jantar e dormir.
Chegamos a sua casa e mudamos o rumo. Colocamos blusa e fomos a um bar. Entre cervejas e cigarros (eu fumo e ele não) narramos nossas experiências amorosas e nos aconselhamos. Recordo-me com exatidão quando disse a ele que certas pessoas só merecem ser ignoradas e nada mais. É regra que tenho tido nesse período de mudança em minha nova fase de vida. Se a pessoa não te liga, não responde os seus sms, o melhor a ser feito é ignorar. Simples assim. Continuei: “as coisas, na vida, são simples, mas o ser humano tem o dom de complicar tudo!” Ele me olhava como se compreendesse cada sílaba que era vomitada dos meus lábios.

Com os planos da noite de sexta-feira (13) mudados os de sábado continuavam valendo. Então, peguei o celular e liguei para uma amiga (J. M.) – época da faculdade que não tinha visto fazia um bom tempo – avisei que estava em Prudente e que no sábado iria até a casa dela, na cidade visinha (P.). Aproveitei e liguei para A. N. que nos falávamos mais de seis meses por telefone e redes sociais, que iria estar na cidade e que gostaria de conhecê-lo pessoalmente, pois ele já fazia parte da minha vida.
Conforme o que já tinha premeditado A. D. S. jantou e às 21hs foi se deitar para descansar enquanto fiquei na sala assistindo o filme “Querido John”, de Nicolas Sparks – também autor do Best-seller “Diário de uma paixão”. Havia colocado na bolsa o livro, porém preferi ver ao filme antes de iniciar a leitura do livro, por simplesmente estar com preguiça intelectual. Adormeci.



[DOIS]

Acordamos já no fim da manhã e inicio da tarde. Fizemos almoço coletivamente. Cada um responsável por algo que seria servido durante a refeição. O A. G. - primo do A. D. S. - também tinha sua missão para aquele almoço. Todos colaboraram.
O A. G. foi trabalhar. Eu e A. D. S. seguimos em direção à rodoviária para ir à cidade vizinha, que fica uns 30 quilômetros de distância. Ali começaria a aventura de sábado à tarde. Já no ônibus trocamos algumas mensagens de texto pelo celular para comentar do ser humano que estava em pé próximo de nós e que falava muito alto ao telefone. “Ninguém merece ouvir conversas particular de outros, ao celular, em transporte público” – escrevi para ele.

Quando chegamos em P. Fomos direto para casa da J. M. Ela nos recepcionou no portão de sua casa, onde nos abraçamos demoradamente para matar a saudade que estava nos matando. “Não irei te largar mais.” – disse ela. Ela abraçou o A. D. S. e nos convidou para entrar. Pedi que me servisse um copo com água, pois estava com muita sede. Após isso fomos até a sala de visitas da casa dela onde ficamos ouvindo música, vendo vídeos, falando sobre a vida. [...] Por termos programado tudo o que iríamos fazer em P., tínhamos que fazer tudo dentro do horário, era a hora de nos despedirmos e visitar mais algumas pessoas. [...]

Fomos até a praça de P. para esperar a hora que A. N. chegasse. Nesse ínterim A. S. D. foi conversar com um conhecido dele. Enquanto aguardava ansiosamente a chegada de A. N. Era importante aquele momento.
Meu celular tocou, era um torpedo do A. N. [...] Liguei e disse o local onde estava. De longe o avistei vindo, de calça jeans, camiseta preta e uma blusa em mãos. Comentei com A. D. S. que meu coração estava acelerado e que não saberia o que dizer e etc. etc.
“Oi!”.
“Oi”. Silenciei-me. Não sei até agora qual o motivo, mas permanecemos por alguns minutos em silêncio.
“Senta aqui, já que você não irá crescer mais mesmo.” – brinquei.
Sentou-se ao meu lado e trocamos algumas palavras. Interagimos com A. D. S.
Decidimos ir até a casa da B., amiga em comum de ambos. No caminho fomos falando de assuntos banais, sem formalidade. Acendi um cigarro. “Já vai fumar de novo?”. – disse ele. “De novo?” – retruquei. “Agora que estou fumando. Desde a hora em que nos vimos não fumei nenhum cigarro.” Ele questionou-me o motivo de não ter abandonado esse velho vício. Disse que sozinho não consigo, que preciso de incentivo. Ele veio com aquelas lições psicológicas como ter força interior para alcançar os objetivos. Vi que aquela conversa não nos levaria a nada, já que tenho minha opinião formada e ele a dele. Era melhor avançar o assunto para evitar discussões futuras. Seguimos até a casa da B.

A B. estava na calçada da casa dela com as amigas P. P. e a outra menina, que me falha a memória, e não consigo lembrar-me o nome dela. B. buscou algumas cadeiras para nos sentarmos. E terminamos o restante da tarde conversando. Eu e A. D. S. iríamos retornar a Prudente às 20hs.

[Na casa da B. eu e A. N. não interagimos muito. Talvez por timidez de ambos. Recordo-me que ele me olhou e disse que o zíper da minha calça estava aberto. O impulso foi imediato chequei para verificar se confirmava o que acabara de me dizer. “Que mentira!”. E, rimos disso. E lembro com exatidão o riso dele pra mim.]

Já a espera do ônibus, A. D. S. afastou-se de nós um pouco, para ir para a fila do ônibus. Enquanto eu e A. N. ficamos conversando e fazendo planos para o dia seguinte. Até agora ainda não sei como aconteceu. Sei que estávamos em um instante conversando, no seguinte, aproximei-me e o primeiro beijo aconteceu. Tive medo de o beijo quebrar o feitiço que nos envolvia, mas já era tarde, havia acontecido. Depois veio o segundo e o terceiro na despedida. Seus lábios eram doces e macios. Ele extremamente apaixonante.

[De volta a Prudente. A. D. S. sentou-se mais no fundo, dentro do ônibus, eu mais a frente. Foi à vez dele ouvir histórias e ouvir música no celular da pessoa que estava ao lado dele – durante toda a viagem de volta. Ri quando recebi um torpedo dele dizendo que já não suportava mais a conversa do homem, que provavelmente estava embriagado.]

Quando chegamos, após o banho, A. D. S. saiu de carro com alguns amigos e eu fiquei em casa, em pleno sábado, algo inacreditável; lendo o livro: “Querido John”. Até adormecer.



[TRÊS]

O domingo começou exatamente às 06h27min, quando o A. G. – primo do A. D. S. – chegou de uma balada, alterado, e nos acordou para conversar e narrar suas aventuras noturnas. Não conseguimos mais dormir.
Esperamos Er. retornar do trabalho (ele trabalha na recepção em um hotel, no período noturno). Seguimos até a feira-livre para comprar algumas coisas e acabar com a minha vontade de comer pastel de feira. /Tínhamos certeza que aquele dia seria super hiper mega blaster agitado./ Despedimos-nos do Er. e fomos para casa, pois precisávamos fazer almoço, pois o relógio marcava alguns minutos para o meio dia.
A. D. S. ligou o aparelho de som no volume máximo com umas músicas super mega agitadas – das quais não costumo ouvir no dia-a-dia. Todos sabem a minha paixão pela música popular brasileira (MPB) -. Serviu-se de uma taça de vinho e foi arrumar a casa, enquanto eu esperava na área, fumando o meu cigarro e tomando uma cerveja.

Não demorou muito e J. chegou trazendo consigo uma garrafa de conhaque e outra de Ytapióca (em ressumo: água ardente, pinga pura). Nem preciso contar que o almoço não saiu, pois nos ocupamos em beber e ficar alegres para irmos ao vento que iria ser realizado naquela tarde.
A. N. ligou e disse que havia mudado de ideia e que não iria mais me ver e nem iria ao evento. Aquilo me chateou profundamente, pois acreditava que teria a companhia dele naquela tarde. Voltei a beber com J. & A. D. S.
Passados alguns minutos A. N. ligou novamente e pediu para que eu o encontrasse na rodoviária, pois mudara de ideia e que iria me ver e que, também, iríamos ao evento. Animei-me profundamente. [... tomei banho, me perfumei, creme pelo corpo – segui ao encontro dele... A. D. S. & J. seguiram para o evento].

(Os fatos, as conversas, os gestos, os olhares e tudo mais que nos aconteceu durante as horas que passei junto ao A. N. irei retê-los em minha memória, por puro egoísmo meu).

Eis que chega a hora de ir com o A. N. na rodoviária para retornar para casa. Ele tinha que trabalhar na manhã seguinte. Conversamos mais um pouco...
Despedimo-nos.
Fiquei olhando-o até que chegasse ao ônibus. Ele olhou para trás: “Vamos nos falando.” Não compreendi com exatidão o que aquela frase significava para ele. Meu coração ficou apertado, coloquei a toca – da minha blusa -, e segui tentando conter as lágrimas que insistiram em rolar sem a minha menor vontade.


[QUATRO]

Entregar currículos era umas das atividades que ainda nos faltava para concretizar. Acordei com A. D. S. me chamando. Tomamos café na casa da R. Seguimos para alguns locais para entregar currículo. Entre um local e outro fomos conversando sobre o que cada um havia feito no domingo, já que não fizemos companhia um para o outro durante o evento no Parque do Povo. Tinha certeza que em algum momento A. S. D. tocaria no assunto sobre A. N. “E aí?” – disse ele. Contei-lhe sobre minhas impressões e sobre o que eu pensava até aquele momento. Ansiando algumas lágrimas decidi mudar de assunto. Ele compreendeu que o que mais queria naquele momento era ficar em silêncio. Estava totalmente frustrado.

No caminho de volta fui até uma loja de artigos de presente a pedido de A. D. S. para comprar uma caixinha. Ao contar o dinheiro faltavam cinco centavos. “Mil desculpas! Posso trazer depois?” – disse para dona da loja. Ao chegar a casa disse ao A. D. S. que “foi hilário sair de Iepê para ficar devendo R$ 00,05 em Pres. Prudente!” – rimos da situação.

Banho. Jantar. E A. D. S. foi deitar primeiro do que eu. Estava perdido em pensamento. Evitei ler mais umas páginas do livro “Querido John”, mas fui ver o filme de mesmo título – mais uma vez.
(Adormeci). 



[CINCO]

Era mais um dia, um novo dia. Entregar mais currículos. Esperança de algum telefonema para nos chamar para entrevista ou coisa do tipo. Novamente café na R. e depois seguir rumo ao centro de Presidente Prudente e outros locais para a distribuição de currículos.

Almoçamos na casa do Er.

Durante a tarde assistimos “Starstruck: Meu Namorado é Uma Super Estrela", em um canal de TV aberto. Me revesei entre olhar para a tela da televisão e as páginas do livro. Acabei desistindo das páginas do livro “Querido John” e passei a prestar mais atenção no filme na TV.

Mais um dia se findava.



[SEIS]


Não havíamos programado nenhum tipo de atividade para aquela manhã, pois era o dia de retornar para Iepê. Como parte de uma rotina que criamos nesses dias. Fomos tomar café na casa da R. – vizinha do A. D. S. Fui organizar a minha bolsa de viagem. E, quando vimos, já era hora de ir embora...

Alguns detalhes não foram narrados, mas sim, omitidos propositalmente. Esses permanecerão no diário (da minha memória). Em breve retorno... Obs: O cheiro de bom ar está na lembrança, e essa é outra longa história, né A. D. S.? (Risos) Fim.

domingo, 13 de maio de 2012

Mais de nós



Os ponteiros do relógio não param...
São segundos de silêncio que não passam.
Cada hora que paro e penso no que seria (de nós).
Já não sei mais de nós.


São tempos que não voltam mais.
O que ficou para trás.
Já não sei mais de nós dois.
Já não sei mais o que será.
 
O mundo gira rapidamente
Eu aqui no mesmo lugar
Querendo saber que hora que os ponteiros
Irão se encontrar.
São segundos que já não são mais.

 
Não há como explicar
O que será de nós?
O que será do que passou
E não volta mais.
Não vai voltar.
Não há mais nós dois.
O que será de nós?
Só quero mais de nós...

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Nem choro, nem vela


Morrer não dói! É claro que depende da forma que se morre. A verdade é que não tenho medo da morte, já que é a única certeza que tenho nessa vida – irei morrer um dia. Tenho medo mesmo é da forma que poderei deixar essa terra.

Peço a Deus, em silêncio, todas às noites, que me dê uma morte calma, tranquila e indolor. Aquela do tipo que se deita para dormir e não há mais o outro dia. Um suspiro e fim.

Não quero sofrer!

Não quero sofrer muito para morrer. Acredito que já sofri o suficiente nesses 28 anos, (não sei por quantos anos mais irei viver), porém não custa nada desde agora ir pedindo uma morte serena.

Não quero ficar em cima de uma cama dando trabalho para as pessoas, dando trabalho pra mim mesmo. Sou um ser impaciente, agitado, que se movimenta a 220 por hora. Não suportaria a prisão de uma cama de hospital. Não suportaria ficar aprisionado em minha própria cama, em meu quarto, em minha casa.

Também não suportaria ver as pessoas em minha volta sofrendo o meu sofrimento, de mãos atadas por não terem o que fazer por mim. Vendo eu me apagar devagarzinho como a chama de uma vela.

Não quero morte trágica ou aquelas formas besta de se morrer. Se for acidente de carro, por exemplo, que seja pá pum. Rápido, ligeiro, sem sequelas, sem cama de hospital. Outro exemplo, tiro. Que seja o fatal. Nada de fazer do meu corpo uma peneira para eu sentir dor e depois disparar o fatal. Primeiro, o tiro fatal, daí depois pode fazer de mim uma peneira, estarei morto mesmo.

Outra coisa que não quero é aquele monte de flor – feia e sem cheiro, por sinal – cobrindo o meu corpo. Se forem pra me dar flores, que seja em vida. Nem tão pouco quero caixão aberto pra todo mundo ficar olhando pra minha face de defunto. E aqueles comentários besta: “nossa, parece que está dormindo!” Quero deixar bem claro nesse parágrafo que quero o meu caixão lacrado (e sem janela). Não quero que vejam o meu fim.

Quanto ao velório, tudo bem! Vai que não morri de verdade. Nem quero me imaginar trancado de baixo da terra, em um caixote de onde não se pode respirar ou sair. Deus me livre! Então ao invés de velarem o meu corpo por 24 horas, por favor, velem por 48 horas. Vai que eu resolvo acordar, né?

A verdade é que durante o velório quero um rádio tocando as músicas que mais gostava e fizeram parte da minha trilha sonora em vida. (Acho que já irei providenciar uma lista com essas músicas). Não sou músico, sou poeta. (Quero leitura de poemas também). Mas a música sempre me acompanhou nos felizes e tristes momentos da minha vida. [Enquanto escrevo esta crônica estou ouvindo música]. Outro detalhe, nada de aplausos. Vão aplaudir por que estou dentro do caixão indo pra debaixo da terra, assim não dá.

Por mais que eu exija sei que não farão a festa que quero durante o velório. É o meu desejo que enquanto estou lá deitado com uma mão sob a outra, em cima da barriga, de olhos e boca fechados, sem mais poder respirar; que as pessoas que ali estarão por consideração a mim, sintam-se mais à vontade e menos tristes. Uma cervejinha, boa música e conversas informais – sem comentários idiotas -, até o momento deu descer a sete palmos da terra.

Morrer não dói! Porém é ridículo morrer. A morte é sem cor, sem forma e para sempre. Causa certa estranheza, inconformidade... reações inexplicáveis. Morrer não dói para o defunto, é claro. Dói apenas para quem fica vivo.

Por fim, não quero ser cercado por velas, nem tão pouco quero todo aquele chororó sem fim. Que todos fiquem em paz assim como irei ficar.

Doce encontro

Não quero suas cordas vocais.
Quero seu abraço em meus braços.
Seu riso no doce encontro.
Seu carinho e sua diversão.
Faço versos pra você cantar.

Aplaudo seu timbre.
Emociono-me com sua voz.
Choro o choro-canção
Que é só nosso – e nada mais.

Me atrevo em te encarar.
Quero os seus lábios
Junto aos meus
Como na velha canção.

Você no palco e eu no bar.
A luz ilumina a sua pele
Que já combina com a minha.
É só mais uma canção de ninar,
De brincar, de amar e amar...

terça-feira, 17 de abril de 2012

The angel of my life!

Oi.
Faz tempo que te vejo por aqui.
Sempre tive vontade de falar,
Mas só me faltava coragem.
Quero falar sobre as coisas da vida.
The angel of my life.

Hi, girl!
I come here often.
I wanted to talk to you.

Eu sei, com você
Não tem sido fácil,
Não é mesmo?
Yes, girl!
I’m struggling to live.
I need your help.
I hope you’ll join.

Você poderá contar comigo.
Sou o anjo que veio te salvar.
You are my angel.
Estou aqui pra te ajudar.
The angel of my life!

Por Tiago Nascimento

terça-feira, 20 de março de 2012

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criada por José Cândido da Silva Neto.