quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Contramão





Não. Por favor, não!
Não venha a minha porta
com velhas canções.
Não apareça nessas manhãs
com o sol a me aquecer.

Não venha com sentimentalidades
que não nos levam a lugar algum.
Queira esquecer o que eu já esqueci.
Nessas manhãs não somos dois.
Por favor, não! Não!

Deixei de ser uma garotinha
tão boba e infantil.
Descobri o meu caminho
que é na sua contramão.

Não, por favor! Não.
Falsos brilhantes. Falsas promessas.
Mentiras. Olhares incertos.
Não, por favor!

Todo o tempo do mundo ofereci.
Você não soube aproveitar nenhum segundo.
Agora não há caminho pra me encontrar.
Estou em sua contramão.

Não apareça nessas manhãs.
Deixei de ser boba e infantil.

Hoje... encontrei meu lugar...

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Augimeri



Olhando meu rosto no espelho
são reflexos de dias atrás
de quando sem querer
resolvi amar você.

Quando não havia nada
com um simples olhar
me ofereces o mundo
com a lua a brilhar.

Não me importo mais com pequenos problemas
quando percebo onde os nossos passos
estão nos levando: para um belo futuro.

Inevitavelmente tantas memórias
nos faz recordar que
aqui, sim, é o nosso lugar.

Continuo ouvindo os velhos discos
relendo os mesmos poemas
de quando nos vimos
naquela tarde de domingo.

Você me diz:
“como é linda a sua memória”.
Concordo com você.
Sorrio e digo:
“São lindas suas lembranças”.

Deixamos de lado pequenos problemas
com a lua a brilhar
como naquela tarde de domingo
nos olhamos e, sim, aqui é o nosso lugar.


quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Pertinho de mim




Desacreditado. Cabisbaixo.
Era sempre assim sem sentido.
Quando sem expectativa alguma
aconteceu da forma que deveria ser.
                         
Escolhi você desde o primeiro olhar.
Hoje sei o quanto valeu esperar.
Escolhi você sem porquês.
Meu pequeno, grande amor.

Quando penso em você
e em tudo que mudou em mim
choro de felicidade
por que a realidade é você.

De madrugada
é quando a saudade vem judiar do meu coração,
mas quando penso em seus beijos
me aqueço e fujo da solidão.

Quando estou com você
é que me sinto bem.
Eu vejo em seus olhos
o mais bonito de você.

Você me encoraja a prosseguir.
Acreditar mais uma vez no amor
é teletransportar você aqui
pertinho de mim.




quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Do you remember?



De tempo em tempo
voltam a se encontrar
quebrando a jura da última vez
para cada um seguir seu rumo (incerto).

Um cigarro e conversas
após mais uma de amor.
Lembranças
de quando pequenos descobriram o amor.

Narravam tamanho arrepio
quando se cruzavam
por ruas do bairro.
Entre tantos devaneios a sete chaves.

Aos 13 e 11 já sabiam se roçar.
Amavam-se como bons adúlteros
traindo a própria infância.

Já não mais era proibido
a libido juvenil.
Entre ruas, gramados e cachoeiras,
À noite, a sós.
Embebecidos de paixão.

O primeiro beijo, o toque, a descoberta,
o primeiro calafrio, o gozo a dois.

Lembranças da velha infância
ao sair da escola a vagar
a procura de um esconderijo,
testemunha ocular,
de que sabiam se amar.

Amaram-se por anos a fio.
Até se perderem no esquecimento.
Aprenderam a seguir por si só.
Deixaram os planos em outra dimensão

E uma cicatriz no coração.


quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Eu gosto dele



É que eu gosto dele.
É porque quero casar com ele.
É ele que eu quero do meu lado.
Não tem nada a ver com a cor dos olhos
ou com corpo delgado
ou toda pele morena
ou com o sorriso e gestos.
É com ele que quero ficar.
Sem porquês ou explicações.
Quem manda no “diacho” do coração?
Responda-me então:
“Se não há amor
a primeira vista?”
Pode ser a prestação?



sábado, 16 de agosto de 2014

Desamor


Premeditado.
Fui fazendo uma limpeza:
varrendo a sujeira de cada canto,
apagando seus contatos,
rasgando suas cartas e fotos,
queimando tantos presentes...
Os pôsteres dos seus ídolos favoritos
E até aquele livro de sacanagem.

Ah, neném, poderia ser diferente.

Olhe pra mim! Já fui embora e você nem percebeu.
Você quebrou a jura do para sempre.
Você me fez desacreditar no amor.
Ah, neném...

Espero que encontre em seu celular
ou rede social um verdadeiro amor.
Não apenas uma “trepada”.

Por favor, não volte mais.
Não chame pelo meu nome.
Não vá ao mesmo bar.
Não, não! Não faça coisas de nós dois.

Ah, neném, poderia ser diferente.


quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Poema brega





Ah se você voltasse
- sem mágoas -
pra viver um amor marginal.

Minha dor, amor,
ao te ver com um novo amor.
Na incerteza
de que tudo foi utópico demais.

Sem teu olhar
entre um gole e outro,
na mesa do bar,
procurei afogar nossas lembranças.

Perturbado, em casa,
com um copo com vinho,
rasguei suas camisas,
cortei suas cuecas...

Quantas vezes te perdoei?

Ah dor, amor...
Tenho por castigo
a solidão de recordar
nossos dias de paz,
meu rapaz.